Os Desacreditados – Descrentes nos Crentes

Postado por: Benne Den | Em: agosto 21, 2016 | 0 Comentário

 

Mas o próprio Jesus não confiava a eles, porque os conhecia a todos. João 2:24.

 

Era algo surpreendente aos olhos humanos, ver uma grande multidão seguindo a Jesus. Parecia uma recepção sincera ao Rei dos reis.

O apóstolo João registra a motivação do coração dos galileus que foram ao encontro de Jesus: vistas todas as coisas que fizera em Jerusalém (Jo 4.43). Contudo, a multidão tinha uma fé desacreditada por Cristo. (Jo 2.23-25).

Aparentemente a multidão que seguia Jesus Cristo expressava uma devoção religiosa formidável, mas havia uma motivação errada para ir ao encontro de Jesus. As pessoas tinham uma crença que não agradava a Deus, porque buscavam Jesus não como o Cristo, o Salvador. Elas não estavam sedentas de salvação, mas desejosas de bênçãos e de todo tipo de suprimento pessoal nesta terra. Este tipo de devoção não sustenta ninguém na hora da dificuldade, do sofrimento ou da perseguição, além de fazer o crente ser totalmente desacreditado por Deus e pela sociedade.

 

Introdução (2)

No século passado alguns missionários que trabalhavam na Índia pensaram em uma estratégia que poderia trazer um verdadeiro avivamento para o País. Eles disseram: “Se nós conseguirmos evangelizar o líder do hinduísmo Mahatma Gandhi e o ganharmos para Cristo, toda nação indiana será impactada por esse testemunho”. Convictos da sua estratégia foram ao encontro de Gandhi para persuadi-lo a ser cristão, entretanto no meio da conversar ouviram de Gandhi: “No vosso Cristo eu creio eu só não creio é no vosso Cristianismo sem vida”.

 

O que aqueles missionários ouviram de Gandhi é o que constantemente ouvimos sobre o cristianismo atual. Muitos ainda acreditam em Cristo, mas são descrentes em relação aos crentes. Acreditam em Deus, todavia não acreditam na Igreja constituída de “seguidores” de Jesus Cristo.

Segundo as estatísticas do IBGE, em 1950, “os sem religião” eram aproximadamente 0,5% da população. Hoje eles já são a terceira maior “identidade religiosa” do País, estando atrás apenas dos católicos e dos evangélicos.

Eles não são adeptos da “não religião”, por serem ateus, mas são aqueles que já frequentaram uma Igreja e se decepcionaram.

 

Decepcionados com a Igreja, descrentes dos crentes e convictos que as demais religiões não os levariam a Deus, optaram em ser “sem religião”.

 

Por que os “sem religião” crescem tanto? Por qual razão a sociedade brasileira está descrente dos crentes? Podemos resgatar a credibilidade da Igreja? O que devemos fazer?

 

I – POR QUE A IGREJA TEM PERDIDO A CREDIBILIDADE NO MUNDO?

 

O Rev. Elben M. Lenz César falando sobre a crise da igreja contemporânea diz:

“Não temos defesa: estamos desacreditados diante do governo (também desacreditado), diante dos críticos, diante dos antigos simpatizantes, diante dos opositores, diante da mídia (caçadora de escândalo) e diante do povo.”

 

Não são poucas a razões pelas quais a igreja tem perdido a credibilidade diante da sociedade. Entendemos que há razões externas e internas. Citaremos algumas.

 

 

1.1. Razão externa – O Espírito da Besta: O pluralismo e a relatividade da verdade.

 

Com certeza há razões escatológicas que apontam para o afastamento daquele que hoje resiste e impede a manifestação do anticristo.

As últimas décadas têm sido caracterizadas por movimentos filosófico-teológicos, vindos do inferno,  que romperam com tudo o que, historicamente, tem sido crido como verdade fundamental: relativismo, pós-modernismo e pluralismo, defendem uma ideologia anti-Deus, preparando o mundo para receber a Besta.

 

Estes movimentos condenam qualquer ideia de verdade absoluta e são fortes opositores da igreja. Para os pluralistas a multiplicidade de conceitos sobre o exercício da fé, das crenças (Deísmo, Teísmo, ateísmo, politeísmo, etc.), compreende a essência do pensamento humano e seu direito em crer ou deixar de crer no que quiser, sem ser discriminado por isso. A crença do individuo é sua verdade. Para eles pode-se até dialogar, desde que aja “tolerância”, o que para eles é quase um sinônimo de concordância.

 

Tolerância, no contexto da nova ordem mundial, significa aceitar, valorizar e defender a diversidade cultural, social, sexual, comportamental, ideológica e religiosa, desde que não venha do cristianismo ou do judaísmo.

Essa relativização da verdade tem exercido grande influência na visão da sociedade com respeito à igreja. A conclusão que muitos tem chegado é: a verdade não é absoluta, logo, a igreja não pode ser detentora de uma crença absoluta e, portanto, não é digna de todo o crédito.

 

1.2. Razões Internas

 

Hoje o crente não tem credibilidade como antigamente. Se você estiver conversando com alguém e no meio da conversa disser que é um pastor, pode até ser que uma porta seja fechada para você.

 

A Igreja como instituição, tem perdido a credibilidade e a sociedade está descrente dos crentes. Tudo isso acontece por razões internas do próprio cristianismo atual. Aqui apresentaremos algumas razões do porque a sociedade está descrente dos crentes.

 

1.2.1. Escândalos envolvendo lideres.

 

Não precisa sem bem informado para tomar conhecimento dos escândalos que envolvem lideres que se dizem evangélicos. As várias e repetidas decepções com líderes tem levado sociedade à resignação. Uma pesquisa organizada pelo instituto LifeWay Research, nos Estados Unidos, feita no final de 2006, mostrou as principais causas que levam uma pessoa a mudar de igreja, dentre as razões 74% estava envolvia o testemunho da igreja, liderança e principalmente do Pastor.

 

Esta é uma realidade em todo o planeta. A igreja evangélica brasileira tem sido, via de regra, marcada por uma mentalidade consumista, hedonista e materialista, como o restante da sociedade. A visão mercantilista de igreja tem feito da igreja evangélica no Brasil objeto de escárnio e deboche.

 

A mídia expõe com frequência os escândalos morais de líderes evangélicos brasileiros.

O sal tem se tornado insípido e não tem servido senão para ser pisado pelos homens. Esse comportamento escandaloso ridiculariza a Cristo, prejudica o evangelismo e destrói a credibilidade do cristianismo em nosso país.

 

 

1.2.2. O Mercado da Fé.

 

Estamos vivendo tempos difíceis, nos quais muitos têm buscado socorro no caminho mais fácil, onde possa encontrar respostas e soluções imediatas para atender as suas necessidades temporais. Com isso surge um novo grupo de interesseiros, carnais, amantes de si mesmo e do mundo, sem compromisso com Deus, que se tornam “clientes” de igrejas e não crentes em Jesus Cristo. São consumistas, interesseiros que buscam o que a igreja pode oferecer a eles.

 

Diante de tantos clientes, muitas denominações mudaram a igreja em um negócio; pastores se transformaram em executivos e vendedores, o ministério um gerenciamento. Essas organizações religiosas (?) têm sido guiadas mais pelas leis do mercado (como a produtividade, desempenho, faturamento, profissionalismo, qualidade, nichos de consumidores e estratégias de marketing) do que pela Bíblia Sagrada.

 

Apresentam um Jesus Cristo atraente, prometem a prosperidade na terra e a vida eterna no céu, sem precisar renunciar a nada. Palavras como confissão, pecado, arrependimento, negar-se a si mesmo, foram substituídas por decretar, determinar, conquistar, restituir, etc.

 

Movidas pela teologia da “prosperidade” muitas Igrejas estão mercadejando a fé. Pregam sobre dinheiro e por dinheiro, prometendo o que Deus não prometeu, levando muitos, à decepção religiosa e por fim a descrença. Essa e outra razão da descrença da sociedade em relação aos crentes.

 

 

1.2.3. A geração “Gospel” – Simpatizantes e Não Seguidores.

 

Esta é a geração gospel, composta de convencidos e não de convertidos.

 

Vivemos na Era do vazio espiritual na igreja. A manipulação está substituindo o conhecimento de Deus em nossas igrejas. A geração gospel tem alguns chavões religiosos na boca, mas não tem Cristo na vida. No meio gospel os membros das igrejas são recebidos, mas não são instruídos; são animados, mas não são ensinados. As pessoas adoram a um Deus que elas não conhecem. A verdadeira adoração requer o conhecimento, daí o nome de culto racional (Rm 12:1). O culto emocional, sem o entendimento, é uma forma errada de adoração.

 

A igreja gospel não ensina sobre Deus e suas reuniões se resumem a um ajuntamento de pessoas, como um clube social, onde a ênfase não é o conhecimento de Deus.

 

É imprescindível que conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor. (Os 6.3).

 

Lamentavelmente há uma multidão, dita evangélica, que nunca passou do “Átrio Gospel Emocional”.

 

Templos enormes superlotados de pessoas vazias de Deus.

Essa falta de conteúdo de Cristo na vida daqueles que são ou se dizem seus seguidores tem tirado a força do testemunho da verdade e a credibilidade da mensagem do evangelho.

 

1.2.4. Vivendo a verdade como se fosse uma mentira.

 

“Eu creria na sua salvação se os cristãos se parecessem um pouco mais com pessoas que foram salvas”.

 

A afirmação acima foi dita por Fiedrich Nietzche, no final do século XVIII e nunca foi tão atual como nos dias de hoje. O cristianismo está cheio de pessoas que vivem a verdade como se fosse uma mentira.

Pessoas que vivem o que não pregam e pregam o que não vivem.

 

‘Os evangélicos estão aderindo a estilos de vida hedonistas, materialistas, egoístas e sexualmente imorais com a mesma proporção que o mundo’ (…) Se já não somos o sal da terra, a luz do mundo e o bom perfume de Cristo, não servimos para mais nada, exceto para sermos jogados fora e pisados pelos homens, de acordo com Jesus”.

 

1.2.5. Crentes Sem Compromisso

“Compromisso” é definido como o estado ou qualidade de ser dedicado a uma causa, atividade, ou pessoa.

Ser membro de uma igreja ou participar de alguma organização religiosa que professa e prega a Palavra de Deus é algo louvável, mas é preciso mais do que isso para ser acreditado por Deus e pelos homens.

 

É preciso viver a verdade, assumir compromisso com a verdade.

 

O professor Hugh Black, no seu “Serviço de amor de Cristo”, disse que uma jovem judia, que é agora Cristã, pediu a certo senhor que lhe havia dado instruções a respeito do Evangelho, que lesse com ela a história. Porque, disse ela: “Tenho lido os Evangelhos e estou perplexa. Quero saber quando os cristãos deixaram de ser tão diferentes de Cristo”. Essa é a realidade atual, um cristianismo que tem o rotulo de Cristo, mas nenhum conteúdo dEle.

 

1.2.6. Fé Sem Boas Obras.

 

Há muitas igrejas que até zelam pela doutrina, todavia essa fé não é evidenciada na sociedade. A igreja vive uma fé que não se desdobra em boas obras, não busca a transformação da sociedade e não se preocupa com os problemas do próximo.

 

Muitas igrejas são irrelevantes em sua atuação no mundo. Dizem pregar o amor, mas não vivem o amor ao próximo como ensinado por Jesus Cristo.

A igreja precisa ter uma prática de vida que possa afetar a sociedade e o indivíduo.

 

Os cristãos foram postos no mundo para ser a consciência da sociedade, e não para se fecharem em um grupo religioso. A Igreja deve ser a voz do que clama no deserto, o sal da terra e a luz do mundo, a fim de fazer a diferença na sociedade.

Esta falta de prática das verdades as quais os cristãos dizem crer é uma das razões pelas quais a sociedade estar descrentes dos crentes.

 

CONCLUSÃO:

Se a sociedade ímpia está desacreditando dos crentes, imagine o descrédito da “multidão gospel” diante de Deus.

Neste tempo em que a igreja está desacreditada por muitos somos desafiados a viver como verdadeiros seguidores de Jesus Cristo. Embora estejamos sujeitos a falhas e erros, devemos nos esforçar para ser a diferença no meio de um mundo corrompido pelo engano do pecado.

 

Comecemos com uma REFORMA pessoal. Faça o despojamento daquilo que pertence ao velho homem. Renove a sua mentalidade na Palavra de Deus e revista-se do modelo do novo homem criado por Deus. (Ef 4:22-24)

 

Para que vos torneis irrepreensíveis e sinceros, filhos de Deus imaculados no meio de uma geração corrupta e perversa, entre a qual resplandeceis como luminares no mundo. Fl 2:15

 

Sobre o Autor

Pastor-Sênior da Comunidade de Nova Vida em Itapajé-Ceará. Maiores informações: http://www.benneden.com/benneden.htm http://www.novavida.net/pastores

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